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Nepal: mais de 330 mortos e mil desaparecidos
Publicado em 27/08/2026 10:06
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ImpactNews
Nepal

A avalanche que atingiu uma região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete, região autônoma da China, deixou, até o momento, 332 mortos.

A tragédia foi registrada após uma parede de gelo, lama e rochas desabar em um rio de montanha.

As buscas pelos desaparecidos após a avalanche no Nepal entram no segundo dia nesta quinta-feira (27). Mais de mil pessoas seguem desaparecidas.

As equipes de resgate buscam encontrar sobreviventes nos vales e encostas cobertos de destroços causados pela enchente catastrófica. As informações são da agência de notícias Reuters.

No primeiro dia, as autoridades do Nepal usaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência para milhares de pessoas isoladas.

Durante esta quinta-feira, mais de 5 mil militares e policiais participam da operação de resgate.

De acordo com os números divulgados, cerca de 1,5 mil pessoas seguem desaparecidas. Entre eles, também estão turistas estrangeiros.

Segundo as autoridades, no Nepal, 823 pessoas estão desaparecidas. Entre elas, 700 estrangeiras. Na região do Tibete, outras 558 pessoas estão desaparecidas, sendo 260 estrangeiros.

Devido às condições do tempo e também de como está o local, as autoridades estão encontrando dificuldade em realizar as operações de busca.

Muitos moradores ainda estão em busca de informações sobre parentes desaparecidos. Nesta quinta-feira, dezenas de pessoas já foram resgatadas e as buscas continuam.

Geleira pode ter causado tragédia

Uma parte da geleira que cobre as montanhas do Himalaia pode ter sido o ponto de partida da avalanche que desencadeou a enchente devastadora no Nepal.  Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que a parte inferior de uma geleira se rompeu a cerca de 5.200 metros de altitude e despencou aproximadamente 1.200 metros até o fundo de um vale.

O material não era apenas gelo. A queda teria levado também grandes volumes de rochas e sedimentos para o rio Lhende, afluente do Bhote Koshi. A entrada repentina desse material no curso d'água é apontada como o possível gatilho da onda de água, lama e pedras que avançou pelo distrito de Rasuwa, na fronteira com a China.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) informou que  cientistas do Nepal e da China investigam se uma avalanche de gelo e rocha em uma área de grande altitude provocou a enchente. A entidade classificou a avalanche no Lhende Khola como o gatilho suspeito, mas ressaltou que a causa ainda não foi confirmada.

O geólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, em entrevista à Reuters, analisou imagens da Planet Labs e identificou o desprendimento da parte inferior da geleira. Segundo ele, a massa de gelo caiu de uma região a aproximadamente 5.200 metros para o vale, cerca de 1.200 metros abaixo.

Shugar afirmou que o material observado nas imagens é compatível com um grande colapso de gelo. Ele também apontou que o derretimento de neve registrado nas horas anteriores e possíveis obras na região estão entre os fatores que ainda precisam ser investigados. Não há, porém, confirmação de que o aquecimento do planeta tenha provocado diretamente o rompimento.

O professor e pesquisador de clima Rijan Bhakta Kayastha, também ouvido pela agência de notícias, avaliou que a avalanche de gelo pode ter caído sobre o Lhende e bloqueado o rio. A água teria se acumulado atrás da barreira antes de avançar pelo vale.

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