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El Niño: cidades não estão preparadas para o que está por vir
Publicado em 08/08/2026 09:15
Notícias
Foto: César Lopes/PMPA
Seca, altas temperaturas e tempestades; o que esperar do El Niño até janeiro

Um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados no século no Brasil está sendo previsto por especialistas para os próximos meses e nenhuma cidade do país está preparada para o que está por vir, sobretudo as grandes cidades. O alerta é da professora do Departamento de Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em planejamento urbano, Rossana Brandão Tavares.

A probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro, colocando o evento entre os mais intensos observados desde 1950, é de 81%, segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Os efeitos climáticos já podem ser sentidos e vão continuar atuando no país até o início de 2027. Os impactos do El Niño são divididos por regiões; enquanto a região Sul concentra o maior risco de desastres climáticos ligados a temporais, vendavais e cheias de rios, devido ao bloqueio de frentes frias, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem enfrentar a situação hidrológica mais crítica, com seca de severa a extrema. As temperaturas, em geral, deverão ficar até 5 graus acima da média. 

Convivência com extremos climáticos

A professora Rossana Brandão Tavares aponta que a maioria dos municípios brasileiros, cerca de 90%, já precisou enfrentar casos concretos de desastres socioambientais nos últimos 30 anos, de acordo com dados do  Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Dessa forma, segundo ela, é possível considerar que a convivência com extremos climáticos já não é eventual ou concentrada em poucas regiões brasileiras. E outro ponto preocupante, na avaliação da professora, são os dados deste ano da Confederação Nacional dos Municípios,  revelando que mais de 1.200 municípios não possuem defesa civil organizada.

 

Queda de árvores: população sofre com transtornos
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Queda de árvores: população sofre com transtornos
 
Rossana defende a urgência de se lidar de forma estrutural com os problemas urbanos das cidades brasileiras. Para ela, cada vez mais, a população está submetida a uma governança urbana empresarial que tem deixado de lado um planejamento que promova investimentos, em especial em saneamento básico, além da articulação do ordenamento e controle do uso do solo com as características socioambientais de cada região, sobretudo em áreas de encostas, às margens de rios, lagoas, mares e oceanos.
 
"O zoneamento e uso do solo não são questões técnicas neutras. A escolha é política e os desastres estão escancarando o que tem sido priorizado no planejamento. Temos que desconstruir a ideia de que nossas cidades não são planejadas, elas são, mas não para a população que cai junto com as tragédias que estão se tornando corriqueiras. Sou contra a ideia de “adaptação” das cidades, isso é enxugar gelo"Rossana Brandão Tavares, professora do Departamento de Urbanismo da UFF
 

Muitos problemas a enfrentar

A especialista em planejamento urbano ressalta ainda que os impactos do El Niño serão vividos de forma diferente, a depender de onde e em que condições a pessoa reside, circula ou mesmo trabalha nas cidades.

E afirma que, de forma geral, o planejamento urbano tem favorecido a especulação imobiliária que, por sua vez, valoriza o uso do solo em áreas menos sujeitas a alagamentos e deslizamentos de terra e com melhor infraestrutura, empurrando a população de baixa renda para os bairros mais precários e mais vulneráveis a esses riscos.

Outra questão importante apontada pela especialista é o problema da impermeabilização do solo e a importância de se construir alternativas de pavimentação como também zoneamento para controle de novas ocupações, além da urbanização adequada de favelas e assentamentos precários.

 

Para a professora Rossana, dá tempo de reduzir danos, não de reverter décadas de descaso em poucos meses, mas de mudar a forma como as cidades respondem, antes que o pior aconteça. O desafio, para ela, não é falta de solução técnica, é falta de prioridade política e de recursos direcionados a quem mais precisa.

"Considero antes de tudo que é uma política de proteção social, do contrário o El Niño severo vai continuar protegendo quem já está protegido e penalizando quem já está mais exposto"Rossana Brandão Tavares, professora do Departamento de Urbanismo da UFF

 

Efeitos já são sentidos e se agravam em setembro

 

O professor do professor do departamento de Engenharia Agrícola e do Meio Ambiente da UFF, Márcio Cataldi, explica que o El Niño já tem mostrado seus efeitos, com ocorrências registradas no mês de julho, como a ventania que atingiu o Rio de Janeiro e o  litoral de São Paulo, deixando mortes e estragos, no fim de julho.

Matéria completa no site :-   El Niño: cidades não estão preparadas para o que está por vir                                                                                                                                                                                                                                                                          Fonte :- El Niño: cidades não estão preparadas para o que está por vir

 
 
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