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Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual
Por Jairo
Publicado em 02/08/2026 09:50
Notícias

Imagem gerada por IA

Um agrotóxico proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro desde que autoridades nacionais baniram, há oito anos, outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.

 

O Brasil proibiu o paraquate em 2017, após avaliação toxicológica da Anvisa apontar riscos de mutagenicidade e associação com Parkinson entre trabalhadores expostos ao produto. A decisão colocou o país na lista de mais de 70 nações que já haviam banido o herbicida.

Produtores rurais brasileiros passaram então a recorrer ao diquate, herbicida quimicamente aparentado ao paraquate e também fabricado pela Syngenta. A substância, no entanto, segue proibida na Suíça e no restante da União Europeia por preocupações semelhantes com a saúde humana. Segundo o monitoramento do Ibama, o uso do diquate multiplicou-se por dez no Brasil entre 2017 e 2024.

SUS registra 250 casos de intoxicação e ao menos 40 mortes

Dados oficiais do SUS, levantados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, mostram que o país registrou 250 casos de intoxicação por diquate entre 2018 e 2025. Do total, ao menos 40 pessoas morreram. Foram seis em acidentes e 34 por ingestão intencional do produto, em casos de suicídio.

Uma apuração anterior, publicada pela Unearthed e pela Public Eye em parceria com a Repórter Brasil, já havia identificado 36 casos oficiais de intoxicação por diquate no Brasil entre 2018 e 2022, dos quais 17 eram tentativas de suicídio e quatro resultaram em morte. Pesquisadores ouvidos pela reportagem descreveram uma mudança no perfil das notificações, com o diquate substituindo progressivamente o paraquate nos registros de intoxicação em regiões agrícolas.

 

Caso semelhante já se repetiu na China

O Brasil não é o único país a enfrentar esse padrão. A China baniu o paraquate em 2016 e, desde então, o diquate se consolidou como o substituto mais usado no país. Porém, com centenas de mortes por intoxicação relatadas por médicos chineses após a proibição do paraquate entrar em vigor.

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Especialistas apontam que o diquate provoca predominantemente quadros de baixa gravidade, afetando principalmente pele e olhos, mas a ingestão do produto continua representando risco grave à saúde, sobretudo em casos de autoextermínio, dada a facilidade de acesso ao produto em propriedades rurais.

Syngenta mantém fabricação e exportação do produto

A Syngenta, multinacional suíça responsável pela fabricação do diquate, segue produzindo o herbicida mesmo com a proibição de uso vigente em seu país de origem. A empresa também mantém unidades de produção do paraquate no Reino Unido, ainda que o uso doméstico britânico do produto esteja proibido há mais de 15 anos. Portanto, isso caracteriza um padrão de exportação de agrotóxicos vetados nos mercados de origem para países com regulação mais permissiva, como o Brasil.

Passados oito anos da proibição do paraquate, o diquate segue autorizado para uso agrícola no Brasil, sem sinalização pública de reavaliação toxicológica por parte da Anvisa. Enquanto isso, o crescimento no número de registros de intoxicação reacende o debate sobre os critérios de liberação de agrotóxicos já vetados por autoridades sanitárias europeias.

 

Nota: este texto trata de dados sobre suicídio em contexto informativo e jornalístico. Se você ou alguém que você conhece estiver passando por sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

 

Fonte :- Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual - Agro em Campo

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