Prisão de Maduro pode aliviar a inflação no Brasil.
A prisão de Nicolás Maduro pode impactar diretamente a economia do Brasil. Isso porque a chegada dos Estados Unidos ao setor petrolífero da Venezuela virá acompanhada da injeção de tecnologia e capital, o que impulsionará a produção de petróleo no país.
A Venezuela é dona das maiores reservas do commodity do mundo, com mais de 300 bilhões de barris. Apesar disso, o país responde por menos de 1% da produção global de petróleo e ocupa a posição 21° no ranking mundial.
O Portal iG entrevistou a economista Luiza Sampaio, professora de Macro e Microeconomia, para entender como a deposição de Nicolás Maduro pode afetar a economia brasileira.
A possibilidade de a produção de petróleo venezuelano volte a crescer de forma consistente, o aumento da oferta de mercado pode pressionar os preços do barril para baixo. Para Samapaio, esta é uma previsão que pode ser considerada a longo prazo, já que o país ainda enfrenta sanções, tensões política e conta com um a infraestrutura precária.
"Bem, eu acredito que no curto prazo a tendência é de instabilidade e possível queda de produção. Há também risco operacional nas instalações petrolíferas. Os Estados Unidos estão dizendo que irão arrumar a infraestrutura de petróleo na Venezuela e que também vão vender grande quantidade de petróleo para os outros países. Isso implica que haverá intervenção direta do setor, mas isso exige também uma estabilidade, o que não vai acontecer imediatamente", explicou a professora.
Esse novo cenário promete aumentar a produção de petróleo no mercado internacional de forma relevante. Apesar disso, também é preciso levar em consideração as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela. Segundo Sampaio, este é um dos principais fatores que ainda travam a produção no país.
"Agora, no médio ou longo prazo, pode aumentar, mas dependerá do reconhecimento de um novo governo e de reformas que serão realizadas", completou a professora.
A queda no preço do barril de petróleo pode implicar na queda do valor da gasolina, que influencia o preço do transporte, que influencia o valor do frete. Consequentemente, os preços de alimentos e varejo e serviços também caem. Dessa forma, a inflação brasileira é diretamente afetada pelo mercado petrolífero internacional.
A professora explicou que para que isso se concretize, e o consumidor veja a queda desses valores na bomba, é preciso que uma série de fatores estejam alinhados.
"Para que efetivamente o preço na bomba caísse, seria necessário que o preço do petróleo caísse de forma consistente, que o preço do dólar estivesse em queda ou pelo menos estável, que a Petrobras adotasse uma política de repasse da queda nas bombas, que o ICMS não aumentasse, que o etanol que compõe a gasolina não subisse de preço e que as distribuidoras de postos de gasolina repassassem a queda de preço para o consumidor", explicou a Sampaio.
Segundo a professora, se os preços dos combustíveis recuarem, os principais efeitos na inflação brasileira serão primeiramente no IPCA, através da queda dos preços da gasolina e transporte individual. O segundo efeito maior é nos fretes e na logística. Já o terceiro efeito será nos alimentos e no preço de bens e serviços que dependem de transporte. Dessa forma, todos esses preços cairiam e a inflação retrairia.
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